Brasil teve 830 mil aparelhos subtraídos em 2025; especialista explica como proteger contas, dados pessoais e bloquear o dispositivo
O Brasil registrou 830.890 celulares roubados ou furtados em 2025, o equivalente a uma média de 95 aparelhos subtraídos por hora, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. E o cenário chama ainda mais atenção no Maranhão: entre os municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes, São Luís apresentou a maior taxa do país, com 1.517 aparelhos roubados ou furtados para cada 100 mil moradores. Belém aparece em segundo lugar, seguida por São Paulo.
Diante desse cenário, perceber que o celular desapareceu pode gerar desespero. Afinal, hoje o aparelho concentra muito mais do que fotos e contatos: estão nele aplicativos bancários, e-mails, redes sociais, documentos e informações pessoais. Por isso, os primeiros minutos após um roubo ou furto podem ser decisivos para reduzir os riscos.
O professor de Tecnologia da Informação da Estácio, Antonio Reis de Sousa, explica que é preciso agir rapidamente em diferentes frentes. “As primeiras medidas são o registro do boletim de ocorrência, a proteção das contas bancárias, o bloqueio remoto do aparelho e o contato com a operadora para bloquear a linha e o IMEI”, enumera.
À DISTÂNCIA
Tanto aparelhos com sistema Android quanto iPhones oferecem ferramentas que permitem bloquear o dispositivo remotamente. No Android, o recurso é o Encontre Meu Dispositivo; nos aparelhos da Apple, é possível utilizar o Buscar.
Por meio de outro celular ou computador, o usuário pode acessar sua conta, localizar o dispositivo e realizar ações de segurança. Segundo Antonio, dependendo da situação, também é possível apagar os dados armazenados no aparelho.
“A medida ajuda a impedir acessos não autorizados e, consequentemente, diminui o risco de golpes, fraudes financeiras e uso indevido das informações pessoais”, orienta.
Outra alternativa é o Celular Seguro, programa do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Pela plataforma, a vítima pode emitir um alerta que é encaminhado às operadoras e instituições financeiras parceiras. Atualmente, o serviço oferece opções como o Modo Recuperação e o Bloqueio Total, que pode bloquear linha, IMEI e acessos a instituições participantes.
E-mail e banco merecem atenção imediata
Entre tantos aplicativos instalados, alguns acessos exigem cuidado especial. Antonio destaca principalmente e-mail e contas bancárias, já que podem abrir caminho para outros serviços ou permitir prejuízos financeiros.
O e-mail, por exemplo, costuma estar associado à recuperação de senhas de redes sociais e outras plataformas. Já os aplicativos financeiros podem ser alvo de tentativas de transferências e outras movimentações.
A orientação é entrar em contato com os bancos pelos canais oficiais, bloquear o acesso do aparelho às contas e alterar senhas. O Ministério da Justiça também recomenda bloquear o celular e a linha, reforçar a segurança dos acessos bancários e registrar o boletim de ocorrência.
Segurança começa antes do roubo
Algumas configurações feitas antecipadamente podem dificultar bastante a ação de criminosos. “Utilize uma senha forte ou PIN de pelo menos seis dígitos, além da biometria, e evite combinações fáceis de descobrir, como a data do aniversário, por exemplo”, afirma.
Também é importante manter ativadas as ferramentas de localização e bloqueio remoto, usar autenticação em dois fatores no e-mail, WhatsApp, redes sociais e serviços financeiros e ocultar o conteúdo das notificações na tela bloqueada.
Antonio ainda recomenda ativar o PIN do chip, manter o IMEI anotado em um local seguro, atualizar regularmente o sistema operacional e fazer cópias de segurança de fotos, contatos e documentos.
Nos aplicativos bancários, medidas como senhas exclusivas e limites menores para transações também podem adicionar uma camada de proteção. “É preciso agir rápido porque, quando um celular é roubado, o prejuízo pode ir muito além do valor do aparelho”, conclui o professor.
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