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BRASIL: PRÉ-DIABETES ATINGE MILHÕES DE BRASILEIROS E FUNCIONA COMO "SINAL AMARELO" PARA O METABOLISMO

Especialista explica que diagnóstico precoce e mudanças no estilo de vida podem reverter o quadro em uma janela de três a seis meses

O avanço do diabetes no Brasil acende um alerta nas autoridades de saúde. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a condição já afeta pelo menos 20 milhões de pessoas no país, o que representa mais de 10% da população. O cenário é ainda mais sensível quando se observa o estágio anterior à doença: o Ministério da Saúde estima que cerca de 50% dos pacientes diagnosticados com pré-diabetes evoluem para o tipo 2 da condição em um intervalo de até 10 anos.

De acordo com a endocrinologista Carolina Janovsky, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a pré-diabetes caracteriza-se por níveis de glicose no sangue acima do normal, mas que ainda não atingiram os critérios para o diagnóstico definitivo de diabetes.

“Na maioria das vezes, o quadro não dá sintomas e só aparece em exames”, alerta a especialista, reforçando que a condição é quase sempre silenciosa.

Critérios de diagnóstico e reversão
O diagnóstico da pré-diabetes é técnico e baseado em indicadores específicos de exames laboratoriais. A Dra. Carolina Janovsky detalha os parâmetros atuais:

Hemoglobina Glicada (A1C): entre 5,7% e 6,4%.

Glicemia em Jejum: entre 100 e 125 mg/dL.
Teste Oral de Tolerância à Glicose (2 horas): entre 140 e 199 mg/dL.

Embora o diagnóstico assuste, a boa notícia é que o quadro é reversível. No entanto, a médica ressalta que não existe um prazo universal para essa recuperação. “Como a hemoglobina glicada reflete os últimos dois a três meses e a reavaliação costuma ser feita em três a seis meses, essa é a janela mais realista para começar a ver melhora nos exames“, explica a professora da EPM/Unifesp.

Prevenção e rastreamento
A fase mais intensa de intervenção em programas estruturados de saúde costuma ocorrer nos primeiros seis meses após a identificação do “sinal amarelo”. O foco principal recai sobre a melhoria da resposta do corpo à insulina, combatendo o aumento do açúcar no sangue antes que danos crônicos se estabeleçam.

Por ser uma condição que raramente apresenta sintomas físicos evidentes, o rastreamento periódico torna-se a ferramenta mais eficaz de controle.

Consultas regulares e exames de rotina são essenciais, especialmente para indivíduos com fatores de risco, como sedentarismo, obesidade ou histórico familiar, garantindo que a intervenção ocorra enquanto o metabolismo ainda permite uma reversão completa.

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