Secretaria de Estado da Saúde do Maranhão já
registrou dez casos de microcefalia. De acordo com os dados, a maioria ocorreu
no interior do estado
O Maranhão já registrou, desde o
início do ano, sete casos de microcefalia no estado. As notificações foram
registradas pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), que informou, por meio de
nota, que recebeu, por volta das 17h, a atualização total de 10 casos
confirmados de microcefalia, nos seguintes municípios: Coroatá (1), São
Francisco do Brejão (1), Buriticupu (1), São José de Ribamar (1), Barra do
Corda (1), Chapadinha (1), Dom Pedro (1), São Luís (1) e Santa Inês (2). A SES
resssaltou ainda que a última atualização de casos ocorreu no último dia 16 de
novembro. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, existe uma probabilidade
muito grande de que doenças como dengue, zika vírus ou febre chikungunya,
transmitidas pelo mosquito Aedys aegypti durante a gestação, estejam ligadas à
microcefalia.
A superintendente de
Epidemiologia e Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde (SES), Léa
Márcia Costa, esclarece a preocupação do caso. “É um fato que nos preocupa mais
ainda em relação ao controle das larvas e de ovos do Aedys aegypti. O controle
deve ser feito em busca de reduzir o número de caso de dengue, zika e de
chikungunya. Ainda não há uma associação muito grande, mas existem fortes
indícios de que o vírus é diretamente ligado à microcefalia”, afirmou a
superintendente.
Alerta
Léa Márcia Costa revelou que o
Maranhão está em alerta e o aumento da doença está sendo monitorado diretamente
pelo Ministério da Saúde. Segundo a superintendente, o Ministério da Saúde
estuda se há relação entre o zika vírus e o crescimento dos casos de
microcefalia na região Nordeste. Mas, é comprovado que doenças virais podem ser
causadoras de má formação dos fetos. “O clima quente e úmido do Maranhão é um
ambiente favorável para a proliferação desses vírus, portanto, o estado deve
sempre permanecer em alerta”, explicou Léa Márcia.
A superintendente explicou ainda
que em 2012 foram notificados seis casos. E, em 2013 e 2014, apenas dois casos.
Léa Márcia afirmou que os casos estão dentro da média e bem abaixo dos números
notificados em outros estados do Nordeste. E que a Secretaria de Estado da
Saúde está alertando todos os municípios sobre a Portaria do Ministério da Saúde
n° 116/2009, que trata da responsabilidade de alimentação dos casos no Sinasc
em, no máximo, 60 dias. Mas nós, da SES, orientamos para que isso aconteça mais
rápido, que não ultrapasse 30 dias.
O acréscimo expressivo no número
de casos de microcefalia no Nordeste fez com que o Ministério da Saúde
declarasse estado de emergência em saúde pública. Em média, os casos em
Pernambuco não passavam de dez por ano, mas nos últimos quatro meses foram
confirmados 141 registros. Já o Rio Grande do Norte e a Paraíba também tiveram
aumento no número de casos de microcefalia, registrando, respectivamente, 21 e
9 casos este ano. No dia 11 de dezembro, a Secretaria de Estado da Saúde fará
uma campanha em São Luís para tratar do assunto. O local da campanha será
divulgado em breve.
Controle da doença
A superintendente esclareceu
também de que forma a Secretaria da Saúde está atuando em relação ao controle
da proliferação da doença na capital e no interior do estado. “No combate à
dengue, nosso controle já é bem antigo. A maneira de prevenção é a mesma, o
mosquito é o mesmo, o Aedys aegypti, que também transmite a zika e chikungunya.
A ação de combate ao mosquito tem que ser reforçada cada vez mais. E já foi
montado um plano de contingência onde foram definidas as responsabilidades. “Os
municípios também têm seus planos, onde eles se comprometem a fazer o seu
trabalho de reforço nesse combate”, disse ela.
Sobre a hipótese que tem sido
discutida pela comunidade médica, de que o aumento de casos de microcefalia
poderia estar relacionado a infecções por zika vírus – vírus que foi
identificado pela primeira vez no país em abril deste ano – os representantes
do Ministério da Saúde afirmam que ainda é precipitado atribuir o evento a essa
causa.
No Maranhão, a SES cruzou os
nomes das mães que tiveram bebês com microcefalia em outro programa de
monitoramento, que é o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).
Nenhuma das mães que tiveram filhos identificados com microcefalia este ano
tiveram doenças notificadas, como o zika vírus.
O que é a microcefalia
A microcefalia é uma condição
rara em que o bebê, com idade gestacional normal de nove meses, nasce com o
crânio menor que 33 cm. A doença está associada a uma má formação congênita
ligada a diferentes fatores, como infecção por agentes biológicos, como
bactérias e vírus, adquiridas pela mãe, principalmente no primeiro trimestre da
gestação, que é quando o cérebro do bebê está em formação. Dentre as
principais, estão infecções como toxoplasmose, rubéola e citomegalovírus.
Outros fatores se referem ao uso de substâncias químicas durante a gravidez,
como álcool e drogas.
Prevenção
Uma das medidas de combate ao
mosquito é “o carro da fumaça”, que serve para evitar que ele se espalhe, mas,
segundo Léa Márcia, a medida não é suficiente. “O carro da fumaça já está
circulando, mas isso não é o suficiente. Recomendamos que as pessoas evitem
essa proliferação do mosquito, tomando muito cuidado em suas casas. Nós
alugamos 20 carros fumacê este ano e já estão todos montados. No momento,
estamos trabalhando nesses municípios que têm notificação realmente de casos,
como Cururupu, que no momento nossa equipe se encontra lá”.
O trabalho mais importante é a
eliminação de ovos e larvas. A recomendação é ter o cuidado de não deixar água
acumulada e parada em pneus, vasilhas e outros materiais de armazenamento. A
Secretaria de Estado da Saúde (SES) informa que o Maranhão, juntamente com as
demais secretarias de Estado da Saúde de todo o país, está alinhando, junto ao
Ministério da Saúde (MS), uma rede de assistência voltada para o tratamento da
microcefalia. Na capital São Luís, o Hospital Infantil Dr. Juvêncio Mattos já
atende casos desta e de outras doenças de má formação, com equipe de
neuropediatras e médicos geneticistas.
O Imparcial

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